sexta-feira, 22 de abril de 2011

O ÚLTIMO POEMA - MARIO QUINTANA

Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar pensando sempre noutra coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo.

Um comentário:

  1. Meu poeta querido, deverias ser o avô de todos os poetas; um avô singelo, puro, resignado, carinhoso, cheio de adjetivos bons e atenções verdadeiras que procuramos na intenção de fugirmos dos castigos da vida-mãe! (Quando não madrasta...)

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