No princípio Deus criou... .Não, não comecemos por aí... No princípio criei um Blog para falar da Arte, arte esta que nem a Língua Escrita ou Falada consegue definir por completo. E dessa incompreensível Arte, a Literatura, Portuguesa, universal e seus atores... Cá estamos!
quarta-feira, 12 de março de 2014
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
NOBEL DE JOSÉ SARAMAGO - 15 ANOS
Parece que foi ontem, mas já se passaram quinze anos que o escritor português José Saramago recebeu o Nobel de Literatura. Os nossos patrícios, orgulhosos, na Casa dos Bicos, festejam o 15º aniversário do primeiro Nobel da literatura atribuido a um autor de Língua Portuguesa.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
O ETERNO AMARGOR DO AMOR
Passou-se rápido, um clarão. O olhar não media a mensagem e a visão não acreditava o que via. Uma simples postagem no dia de seu aniversário e veio a tona toda uma gama de sentimentos, um amor que tinha certeza: Havia acabado! Triste constatação. Aquele sentimento que me fez emagrecer, adoecer, trincar os dentes, sentir raiva e pena, ainda estava lá, intacto. Um amor que ofendia, destratava, se engrandecia ao humilhar-me, continuava depois de tanto tempo ativo e deixou-me assim hoje, como nesta foto durante o martírio que foi a despedida. Nem tão magro, nem tão depressivo, mas ainda tocado, ainda magoado. Nada tem a ver com o objetivo do blog, nada a ver com literatura, mas essa sensação de que a "coisa" não acaba tem um quê de permissividade, de falta de orgulho, "de bom, meu coração negou-me a paz, de carinhoso, deixou-se levar por levianas certezas e verdades"... assim!
segunda-feira, 29 de abril de 2013
QUE TODOS OS DIAS SEJAM DIAS DE AMOR
![]() |
| Carlos Drummond de Andrade |
João Brandão pergunta, propõe e decreta:
Se há o Dia dos Namorados, por que não haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta última palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Platônicos, que também são exemplares à sua maneira, e dizem até que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranqüilo, tão raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que Não Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebentação geral do século?
Amor Complicado pede o seu Dia, não para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complicação cheia de vôos fora do horário e da visibilidade. Amor à Primeira Vista, o fulminante, bem que gostava de ter o seu, cortado de relâmpagos. E há motivos de sobra para se estabelecer o Dia do Amor ao Próximo, e o Próximo somos nós, quando nos esquecemos de nós mesmos, abjurando o enfezadíssimo Amor-Próprio.
Depressa, amigos criadores de Dias, criai o do Amor Livre, entendido como tal o que desata as correntes do interesse imediato, da discriminação racial e económica, ri das divisões políticas, das crenças separatórias, e planta o seu estandarte no cimo da cordilheira mais alta. Livre até no impulso egoístico da correspondência geométrica. Amor que nem a si mesmo se escraviza, na total doação que é converter-se no alvo, pois lá diz o que sabe: «Transforma-se o amador na coisa amada.»
Haja também um Dia para o Amor Não Correspondido, em que ele se console e crie alento para perseverar, se esta é a sua condição fatal, melhor direi, a sua graça. Pois todo Amor tem o seu ponto de luz, que às vezes se confunde com a sombra.
O Amor Impossível, exatamente por sua impossibilidade, merece a compensação de um Dia. Concederemos outro ao Amor Perfeito, que não precisa de mais, mergulhado que está na eternidade, a mover os sóis, independentemente da astrofísica. Ao Amor Imperfeito, síntese muito humana de tantos, retrato mal copiado do modelo divino, igualmente, se consagre um Dia generoso.
Amor à Glória não carece ter Dia, nem Amor ao Dinheiro e seu primo (ou irmão) Amor ao Poder. Eles se satisfazem, o primeiro com uma bolha de sabão, os outros dois com a mesa posta. Mas ao Amor faminto e sem talher, e ao que nenhuma iguaria lhe satisfaz, porque sua fome vai além dos alimentos e é a fome em si, a ansiosa procura do que não existe nem pode existir: um Dia para cada um.
E se mais Dias sobrarem, que sejam reservados para os Amores de que não me lembro no momento mas certamente existem, pois sendo o Amor infinito em sua finitude, isto é, fugindo ao tempo no tempo, e multiplicando-se em invenções, sutilezas, desvarios, enigmas e tudo mais, sempre haverá um Amor novo no sujeito amante, dentro do Amor que nele pousou e que cada manhã nasce outra vez, de sorte que o mesmo Amor é cada dia Outro sem deixar de ser o Antigo, e são muitos outros concentrados e não compendiados na potencialidade de amar. Assim sendo, recomendo e requeiro e decreto que todos os dias do ano sejam Dias do Amor, e não mais disso ou daquilo, como erradamente se convencionou e precisa ser corrigido. Tenho dito. Cumpra-se.
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Poder Ultrajovem'
Se há o Dia dos Namorados, por que não haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta última palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Platônicos, que também são exemplares à sua maneira, e dizem até que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranqüilo, tão raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que Não Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebentação geral do século?
Amor Complicado pede o seu Dia, não para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complicação cheia de vôos fora do horário e da visibilidade. Amor à Primeira Vista, o fulminante, bem que gostava de ter o seu, cortado de relâmpagos. E há motivos de sobra para se estabelecer o Dia do Amor ao Próximo, e o Próximo somos nós, quando nos esquecemos de nós mesmos, abjurando o enfezadíssimo Amor-Próprio.
Depressa, amigos criadores de Dias, criai o do Amor Livre, entendido como tal o que desata as correntes do interesse imediato, da discriminação racial e económica, ri das divisões políticas, das crenças separatórias, e planta o seu estandarte no cimo da cordilheira mais alta. Livre até no impulso egoístico da correspondência geométrica. Amor que nem a si mesmo se escraviza, na total doação que é converter-se no alvo, pois lá diz o que sabe: «Transforma-se o amador na coisa amada.»
Haja também um Dia para o Amor Não Correspondido, em que ele se console e crie alento para perseverar, se esta é a sua condição fatal, melhor direi, a sua graça. Pois todo Amor tem o seu ponto de luz, que às vezes se confunde com a sombra.
O Amor Impossível, exatamente por sua impossibilidade, merece a compensação de um Dia. Concederemos outro ao Amor Perfeito, que não precisa de mais, mergulhado que está na eternidade, a mover os sóis, independentemente da astrofísica. Ao Amor Imperfeito, síntese muito humana de tantos, retrato mal copiado do modelo divino, igualmente, se consagre um Dia generoso.
Amor à Glória não carece ter Dia, nem Amor ao Dinheiro e seu primo (ou irmão) Amor ao Poder. Eles se satisfazem, o primeiro com uma bolha de sabão, os outros dois com a mesa posta. Mas ao Amor faminto e sem talher, e ao que nenhuma iguaria lhe satisfaz, porque sua fome vai além dos alimentos e é a fome em si, a ansiosa procura do que não existe nem pode existir: um Dia para cada um.
E se mais Dias sobrarem, que sejam reservados para os Amores de que não me lembro no momento mas certamente existem, pois sendo o Amor infinito em sua finitude, isto é, fugindo ao tempo no tempo, e multiplicando-se em invenções, sutilezas, desvarios, enigmas e tudo mais, sempre haverá um Amor novo no sujeito amante, dentro do Amor que nele pousou e que cada manhã nasce outra vez, de sorte que o mesmo Amor é cada dia Outro sem deixar de ser o Antigo, e são muitos outros concentrados e não compendiados na potencialidade de amar. Assim sendo, recomendo e requeiro e decreto que todos os dias do ano sejam Dias do Amor, e não mais disso ou daquilo, como erradamente se convencionou e precisa ser corrigido. Tenho dito. Cumpra-se.
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Poder Ultrajovem'
Nota:
Drummond merecia uma publicação e, embora esteja tão atordoado com o que está acontecendo, acontece e deixa de acontecer, tive a felicidade de ver a publicação do Citador português. E a cultura portuguesa, dos nossos irmãos lusos, prescinde de vaidade. Enaltece e declara toda a qualidade dos autores brasileiros. E, "como não me faço de rogado" quando o tema é o amor, ei-lo nas palavras dele, nosso amado itabirano... Aprovveitem, meus 14 seguidores do PALAVRA ESCRITA!
quinta-feira, 18 de abril de 2013
O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA - EÇA DE QUEIRÓS
"Perguntou-me se queria
jantar. Conquanto lhe respondesse negativamente, ele abriu uma mesa, trouxe um
cabaz em que havia algumas comidas frias. Bebi apenas um copo de água. Ele
comeu. Lentamente, gradualmente, começamos a conversar quase em amizade. Eu sou
naturalmente expansivo, o silêncio pesava-me. Ele era instruído, tinha viajado
e tinha lido. De repente, pouco depois da uma da noite, sentimos na escada um
andar leve e cauteloso, e logo alguém tocar na porta do quarto onde estávamos,
O mascarado tinha ao entrar tirado a chave e havia-a guardado no bolso.
Erguemo-nos sobressaltados, O cadáver achava-se coberto, O mascarado apagou as
luzes. Eu estava aterrado, O silêncio era profundo; ouvia-se apenas(...)"
— O Mistério da Estrada de Sintra (1870)
Estava em casa vendo televisão e inadvertidamente passei por um canal onde o filme O Mistério da Estrada de Sintra estava começando. Sabia já pelo título que se tratava da obra de Eça de Queirós, o surpreendente ficou por conta de estar passando um filme português e, mais ainda, sobre o grande mestre do Realismo lusitano. Realmente uma surpresa das mais saborosas, pois! Sozinho em casa, passava da meia-noite, silêncio e tempo (uma risadinha interior causada pela incredulidade fez com que me remexesse). Ajeitei-me na cadeira e comecei a saboreá-lo. Estranho. Sou assim, poucos mesmo entenderiam meus especiais prazeres e um deles é certamente este: mergulhar no Século XIX através dos livros (mais comumente) e vez ou outra pela tela do cinema. Salva-se isso da minha vida, já que a solidão parece-me ser a fiel companheira das últimas horas. Aliás, prefiro-a à conviver com tanta gente que fala, fala, fala, pelos cotovelos e não entende patavina de nada. Posto isso, sobre a surpresa do filme, o ambiente perfeito e o assunto tão caro, resta-me por fim falar sobre o filme e também sobre a narrativa onde os protagonistas são os autores da obra (Eça de Queirós e Ramalho Ortigão) e o cenário a sociedade portuguesa do Século XIX com idas e vindas à distante Malta, arquipélogo sob o domínio inglês na época.
VAMOS À OBRA E AO FILME
![]() |
| Ramalho Ortigão e Eça de Queirós (António Pedro Cerdeira e Ivo Canelas) |
A história começa com o sequestro de um médico
– Dr.*** – e de seu amigo escritor – F... O rapto, realizado por quatro
mascarados, ocorre na estrada de Sintra. O Dr.*** e o seu companheiro são
levados para uma misteriosa casa, onde se encontrava o cadáver estrangeiro.
Sabendo que um deles era médico, os raptores pretendiam verificar se, de facto,
o homem estava morto. Entretanto, são surpreendidos pela entrada de um jovem –
A.M.C., que viria a esclarecer todo o mistério. Rytmel era, afinal, um oficial
britânico que morreu vítima de uma dose excessiva de ópio que lhe dera a amante
– condessa de W., prima do mascarado alto. Esta desejava apenas adormecê-lo
para confirmar nos seus papéis se ele era ou não amante de uma irlandesa. A
condessa de W. era casada com um homem rico que não a fazia feliz. Conhecera
Rytmel numa viagem que fizera com o marido e com o primo a Malta. Cármen
disputara Rytmel com a condessa. Quando Rytmel lhe anuncia a sua vinda, esta
suspeitando do seu namoro com uma outra mulher, Miss Shorn, fica enciumada e
mata-o involuntariamente.
A.M.C., estudante de Coimbra,
honesto e provinciano, ouviu as confidências da condessa e dispôs-se a ajudá-la
na noite do falecimento de Rytmel, em que a encontrara desvairada e nervosa.
Quando volta ao local do crime, a pedido da condessa, encontra os bandidos, o
médico e o seu amigo. Todos juntos julgariam a atitude da condessa e fariam o
enterro do pobre inglês. Luísa acaba por se isolar num convento.
SOBRE O FILME
Verão de 1870. Dois escritores,
Eça (Ivo Canelas) e Ramalho (António Cerdeira). Ramalho é raptado. O desafio
está lançado. Escrever um policial a quatro mãos para o Diário de Notícias.
Será que a história que criaram como ficção é baseada num caso real? Esta é a
pergunta que sustenta o conflito entre estes dois escritores, e os afasta num
duelo quase mortal entre Sintra e Malta. O folhetim avança e com ele ameaças,
duelos, sexo e intrigas. Lisboa está em alvoroço. Todos se tomam pelo conde
atraiçoado. Os crimes sucedem-se numa história onde o amor é mais forte do que
a tradição, a intriga escapa às evidências e tudo corre freneticamente, como
num jogo.
O Mistério da Estrada de Sintra desafia todas
as convenções numa acutilante crítica de costumes à romântica sociedade
portuguesa do séc. XIX.
Ficha Técnica:
Realização: Jorge Paixão da Costa
Argumento: Jorge
Paixão da Costa, Newton Cannito e Tiago Borralho
Produtor: A. da Cunha
Telles, Pandora da Cunha Telles, Roberto d’Avila e Patrick Siaretta
Género: Aventura
Duração: 115’
Elenco:
Ivo Canelas (Eça de
Queirós)
António Cerdeira
(Ramalho Ortigão)
Bruna Di Tullio
(Condessa de Valadas)
Rogério Samora (Conde
de Valadas)
José Pedro
Vasconcelos (Primo Vasco)
Gisele Itié (Carmen
Puebla)
Flávio Galvão
(Nicázio Puebla)
James Weber-Brown (Capitão Rytmel)
Nicolau Breyner (Eduardo Coelho)
Prêmios:
Globos de Ouro,
Portugal (2008) – Melhor Actor (Ivo Canelas)
Detective Fest,
Rússia (2008) – Melhor Filme
Nomeações:
Festival de Gramado,
Brasil (2008) – Competição Internacional
Chicago Latino Film
Festival, EUA (2008)
segunda-feira, 15 de abril de 2013
FLORBELA ESPANCA PELA VOZ DE MIGUEL FALABELLA - A VOLTA
Sem dúvida, emocionante. Tinha que ser assim, a primeira publicação minha depois de muito tempo; continuo taciturno e cada vez mais misantropo. É um desajuste que só ganha corpo. Gente demais, falando demais e ouvindo pouco. Antes, meu leitores, fugia da solidão, hoje tenho, por ela, admiração. E assim, nessa forma cada vez mais robusta retome com fervor o Palavra Escrita e faça dele novamente um hábito. Sorte minha e azar vosso! Curtam então, o que vale a pena ouvir!
sábado, 23 de junho de 2012
MACHADO DE ASSIS E O REALISMO BRASILEIRO
A obra de Machado de
Assis divide-se em duas fases. A primeira, romântica, mostra-se convencional,
tanto no enredo quanto no estilo. De caráter sentimental, os conflitos dos
personagens são superficiais, envolvendo, em geral, dinheiro, casamento e
família, de acordo com o modelo do Romantismo. Na segunda fase, surge Brás
Cubas... Mais a frente falaremos sobre a fase romântica de Machado de Assis. Por ora, ficamos com o romance que inaugurou o Realismo no Brasil.
MEMÓRIAS
PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
Memórias Póstumas de
Brás Cubas é um marco divisor tanto de sua obra quanto da literatura
brasileira, pois é este romance que dá início ao Realismo em nossas letras,
sendo a mais radical experimentação da prosa brasileira até aquele momento.
Machado de Assis é ousado ao apresentar um defunto como narrador e ao eliminar
o sentimentalismo, o moralismo de fachada, o medo de escandalizar os
preconceituosos e a ideia de que o amor sempre deve prevalecer. Além disso,
inaugura a interlocução, ou a conversa com o leitor, rompe com a linearidade do
enredo e escreve microcapítulos digressivos para comentar, explicar e exemplificar
outros capítulos, fragmentando a narrativa tradicional. Suas inovações neste
romance incluem até mesmo a disposição dos tipos nas páginas, em uma criação semelhante
ao que décadas mais tarde faria o movimento concretista. RESUMO
Depois de um longo delírio, Brás Cubas, o narrador-personagem, morre, aos 64 anos. É então que começa a contar, de trás para a frente, a história de sua vida. Apresenta-se, portanto, como um “defunto autor” e não um “autor defunto”, pois a morte é o pré-requisito de sua narrativa, a qual por isso mesmo será franca, sem medo de ofender a sensibilidade e os padrões morais de sua época. O romance começa pelo funeral, vai daí ao nascimento, à infância e ao primeiro amor adolescente, aos 17, pela prostituta Marcela. Para “curar” essa paixão, o pai o envia para Coimbra, Portugal, em cuja tradicional Universidade, Brás Cubas se forma em Direito, apesar de ser um aluno medíocre. De Portugal retorna ao Brasil por ocasião da morte da mãe. A princípio namora Eugênia, filha de uma amiga pobre de sua família, mas o pai quer casá-lo, por interesse político, com a filha do conselheiro Dutra, chamada Virgília.Esta, apesar de corresponder ao interesse de Brás Cubas, acaba conquistada por Lobo Neves, com quem se casa, por nele ver perspectivas de ascensão social. Segue-se a morte do pai de Brás e um litígio entre este e sua irmã Sabina, casada com Cotrim, por conta da herança paterna. Anos mais tarde, Virgília e Brás Cubas se tornam amantes, encontrando-se em segredo numa casa que fica aos cuidados de dona Plácida, antiga conhecida de Virgília. Nesse meio tempo, o narrador-personagem reencontra um amigo de infância, Quincas Borba, mendigo e filósofo que desenvolve a doutrina do Humanitismo (e dará origem ao próximo romance de Machado de Assis, intitulado justamente“Quincas Borba”). O romance com Virgília evolui, cercado dos riscos inerentes a uma paixão adúltera. Seu ponto mais alto será a indesejada gravidez de Virgília, cujo filho, porém, nasce morto. A relação, então, se desgasta e Lobo Neves, nomeado presidente de província, parte com a mulher para o Norte, o que acaba definitivamente com o caso entre ela e Brás Cubas. Após um breve namoro com a sobrinha do cunhado Cotrim, Brás Cubas tenta, em vão, ser ministro de estado. Funda, a seguir, um jornal de oposição, mas jamais terá sucesso na política. O fim torna a se aproximar. Quincas Borba recebe uma herança e enriquece, mas é acometido de demência. Já idosa, Virgília pede a Brás Cubas que ampare dona Plácida, que se encontra numa condição miserável. Sobrevêm várias mortes: a de Lobo Neves, Marcela, Quincas Borba e da própria dona Plácida. Enquanto pensava em inventar um emplasto milagroso, que havia de torná-lo célebre, Brás Cubas sofre uma pneumonia. Acompanhada do filho de Lobo Neves, Virgília vem visitar o ex-amante. Considerando-se que o fim da história, isto é, a morte do protagonista, já foi narrada no início, o romance se encerra com um capítulo magistral em que Brás Cubas faz um balanço de sua vida. Eis um trecho de seu último parágrafo: “Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplastro, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. [...] Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
DOM CASMURRO
Dom Casmurro é mais um
romance da segunda fase de Machado de Assis. Tal como em Memórias Póstumas de Brás
Cubas e Quincas Borba, o autor está preocupado em investigar a existência,
apresentando situações-problema que contribuem para desvendar a alma humana.
Dom Casmurro é a história de um suposto adultério, narrado de uma perspectiva
suspeita, a do próprio marido, Bentinho, que viveu uma história de amor infeliz
e com final trágico.
RESUMO
Bento de Albuquerque
Santiago mora na rua de Matacavalos, com sua mãe viúva, D. Glória, a prima
Justina, o tio Cosme e o agregado José Dias. Na casa ao lado, mora Capitolina (apelidada
Capitu), filha de Pádua e Fortunata. Embora a família dela seja pobre e a dele
rica, os dois são criados juntos. Quando o menino chega aos 15 anos e a menina
aos 14, José Dias lembra a D. Glória a promessa que ela fizera de enviar o
filho para o seminário. Essa é a forma que Dias encontra de alertá-la para um
possível relacionamento amoroso entre os jovens, que, no entanto já estão
apaixonados. No seminário Bentinho torna-se amigo de Escobar, outro seminarista
sem vocação. Com a ajuda desse amigo e do próprio José Dias, o rapaz consegue
demover sua mãe de seu desejo de torná-lo padre. Bentinho realiza seu desejo de
ir para São Paulo onde se forma em Direito.
De volta ao Rio de
Janeiro, casa-se afinal com Capitu e, Escobar, por sua vez, casa-se com uma
amiga dela, Sancha, o que fortalece os laços entre os dois casais. No entanto,
Bentinho e Capitu manifestam certo descontentamento por não terem filhos, o que
ocorrerá apenas dois anos mais tarde, quando Capitu dá a luz um menino,
batizado Ezequiel. No entanto, à medida que o menino cresce, Bentinho, que
sempre fora ciumento e inseguro, só reconhece nele as feições de Escobar.
Quando Capitu chora em
excesso no enterro de Escobar, que morre afogado, Bentinho fica completamente
transtornado, pois vê naquele comportamento a prova cabal de suas suspeitas.
Primeiro pensa em suicídio, depois em homicídio e, por fim, opta pela
separação. Expulsa Capitu de casa, e a envia para a Suíça com Ezequiel, onde
ela morre. Adulto, Ezequiel retorna ao Rio de Janeiro e Bentinho não vê no
filho senão o retrato do amigo do seminário. Como era arqueólogo, Ezequiel em
seguida viaja para o Egito e morre pouco depois em Jerusalém. Bentinho,
solitário e magoado, preocupa-se com o passado e procura reinterpretá-lo construindo
no Engenho Novo uma casa idêntica à de Matacavalos. Ali, começa a escrever a história
de sua vida numa última tentativa de se convencer da traição da esposa e
demonstrar ao mundo que não agira mal ao recusar Ezequiel.
UM SONETO PROPOSTO POR MACHADO DE ASSIS
“Esta
sarna de escrever. quando pega aos cinquenta anos, não despega mais. Na
mocidade é possível curar-se um homem dela; e sem ir mais longe, aqui mesmo, no
seminário tive um companheiro que compôs versos, a maneira dos de Junqueira
Freire, cujo livro de frade-poeta era recente. Ordenou-se; anos depois,
encontrei-o no coro de São Pedro e pedi-lhe que me mostrasse os versos novos.
-
Os seus. Pois não se lembra que no seminário...
-
Ah! – sorriu ele.
Sorriu
e, continuando a procurar num livro aberto a hora em que deveria cantar no dia
seguinte, confessou que não fizera mais versos depois de ordenado. Foram
cócegas da mocidade; coçou-se, passou, estava bom. E falou-me em prosa de uma
infinidade de coisas do dia, a vida cara, um sermão do Padre X... uma
vigairaria mineira...”
(Dom
Casmurro – Capítulo LIV – Panegírico de Santa Mônica)
Durante a leitura de Dom
Casmurro, no capítulo seguinte ao trecho sublinhado acima, Bentinho diz:
- Também eu tive o meu panegírico, contarei
a história de um soneto que nunca fiz; era no tempo do seminário, e o primeiro
verso é o que ides ler:
Oh! Flor do céu! Oh!
Flor cândida e pura!
Bentinho fica
impressionado com o verso que lhe saiu da cabeça durante a noite e decidiu-se
por escrever com ele um soneto. Vale destacar a forma como ele fica
impressionado com sua inspiração poética:
A
insônia, musa de olhos arregalados, não me deixou dormir uma longa hora ou duas;
as cócegas, pediam-me unhas, e eu coçava-me com alma.
Decide-se por ser
poeta, antes, porém, teria que escrever o soneto (e o verso, nem verso era, era
somente uma exclamação), “Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!”.
Sei bem eu que essas
decisões tomadas em noites insones têm a força de uma noite. Mas Bentinho antes
de ser poeta tinha uma aspiração: escrever o tal soneto a partir do verso
composto. Quem era a flor? – pergunta-se Bentinho. Logicamente era Capitu. Mas
o soneto não saía.
“Aguardei
o resto, recitando sempre o verso, e deitado, ora sobre o lado direito, ora
sobre o esquerdo; afinal deixei-me estar de costas, com os olhos no teto, mas
nem assim vinha mais nada. Então, adverti que os sonetos mais gabados eram os
que concluíam com chave de ouro, isto é, um desses versos capitais no sentido e
na forma.”
Resolve-se então compor
o último verso, imaginando que tais chaves de ouro eram “fundidas antes da
fechadura”. Depois de muito “suar” o tal décimo quarto verso saiu:
Perde-se a vida,
ganha-se a batalha!
Bem, para não alongar
muito essa história, ao final ele havia composto o primeiro e último verso do
soneto, que considerava, ia sair perfeito. Mas o tal do soneto não saiu. E o
que ficou foi uma licença de Machado de Assis para que algum corajoso topasse o
desafio e escrevesse os demais doze versos do soneto de Bentinho. Eu, num
ataque de “humildade”, topei o desafio. Mais corajoso ainda é que vou publicar
esse soneto aqui, nesta publicação sobre o magistral escritor que está em sua
terceira postagem (Machado de Assis – O bruxo do Cosme Velho, ABL – A casa de
Machado de Assis e agora Machado de Assis – Um pouco de sua obra).
Antes dessa aventura
monumental de escrever em parceria com o mestre, tive eu também que perder horas
de sono tentando encontrar inspiração para escrever o soneto. Uma audácia, mas estava ali e achei um despropósito deixar dois versos assim soltos no tempo. Existe agora um soneto, não sei se alguém mais se atreveu. Vamos lá,
fechando os olhos...
Machadiana
Oh!
Flor do céu! Oh! Flor, cândida e pura!
De
estrelas ornas todo um céu, toda uma vida
Fazes
do Eterno, esse olhar – quanta ternura,
E
pleno de fé e Graça a obra de um lusíada.
O
bem excelso é saber-me teu, minha querida,
E
mal maior não há nem persiste sobre a terra
Do
que perder-te o amor, de ver-te esquecida,
É
a morte, desvalida, é o que o inferno encerra.
O
lume somente das estrelas não te faz justiça,
O
horizonte, o céu, a Casa etérea - alva e rutilante.
O
tempo, em tua ausência, faz do amor, mortalha,
E
tudo finda, ali, naquele negro instante.
Dei-te
tudo, minha Senhora, fica a palavra dita:
Ganha-se
a vida, perde-se a batalha!
QUINCAS BORBA – “AO
VENCEDOR, AS BATATAS.”

RESUMO
Em Barbacena,
Pedro Rubião de Alvarenga, ex-professor primário, torna-se enfermeiro e amigo
do filósofo Quincas Borba. Cerca de seis meses mais tarde, este morre no Rio de
Janeiro. Rubião é nomeado seu herdeiro universal, desde que concorde em cuidar
de seu cachorro, que também se chama Quincas Borba, e no qual o filósofo
acreditava sobreviver após a morte. Com a fortuna
recebida, Rubião, megalomaníaco e ambicioso, resolve trocar a pacata vida
provinciana pela agitação da corte, onde acredita que desfrutará de fama e status
, e parte para o Rio. Na viagem de trem conhece o capitalista Cristiano de
Almeida e Palha e sua esposa Sofia, cuja beleza o encanta. Ingenuamente fala
sobre sua riqueza repentina e com isso desperta o olhar cobiçoso do marido, que
logo oferece sua casa e sua ajuda durante a estada do mineiro na capital.
Extremamente
ingênuo e influenciável, Rubião deixa-se guiar pela amabilidade do casal.
Instala-se num palacete e passa a frequentar a casa de Cristiano, um parasita interesseiro
e desonesto, a quem primeiro faz um empréstimo, mas depois confia cegamente a administração
de todo seu dinheiro. Valendo-se dos encantos de Sofia, sua própria esposa, ambiciosa
e de caráter ambivalente, Cristiano atrai a atenção de Rubião, o qual, com o
tempo se apaixona por Sofia, que, ao mesmo que o encoraja, dispensando-lhe
olhares e delicadezas insinuantes, impõe-lhe certa distância, sem contudo
deixar de seduzi-lo implicitamente. Depois de muitos favores ao casal amigo,
Rubião declara seu amor por Sofia, que o recusa e revela ao marido que foi
cortejada. Cristiano, no entanto, não rompe relações com Rubião, porque
pretende subtrair-lhe o restante da fortuna. Sofia, que até então apenas intuía
sua condição de chamariz, daí em diante tem de desempenhar esse papel
conscientemente. Interessados nos bens de Rubião também estão outros
oportunistas, como o advogado e falso jornalista Camacho, que contribuem para
seu empobrecimento gradual e absoluto. Já o amor não correspondido por Sofia
aos poucos leva Rubião à loucura. Abandonado por todos que se aproveitaram
dele, volta para Barbacena com Quincas Borba, o inseparável cão, seu único
companheiro em toda a aventura no Rio de Janeiro. Depois de passar fome e frio,
morre em casa da comadre Angélica, em seus delírios imaginando-se Napoleão III
e pronunciando a máxima do filósofo Quincas Borba, que só agora ele consegue
entender: “Ao vencedor, as batatas”.
INCONSTÂNCIA - FLORBELA ESPANCA
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| FLORBELA ESPANCA |
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…
A mensageira das violetas
sexta-feira, 22 de junho de 2012
ABL - A CASA DE MACHADO DE ASSIS
| INAUGURAÇÃO DA ACADEMIA BRASILEIA DE LETRAS - 20/07/1897 |
Em 20 de julho de 1897, Machado de Assis, um dos mais importantes escritores brasileiros, fundava a Academia Brasileira de Letras (ABL), numa sala do Pedagogium, na Rua do Passeio, no Rio de Janeiro. Desde então, a instituição tem como principal objetivo aprimorar métodos para o cultivo da língua e da literatura nacional. A iniciativa de criar uma entidade que reforçasse os princípios do idioma teve com modelo a Academia Francesa e foi idealizada por Lúcio Mendonça.
Segundo o site oficial da instituição, as primeiras notícias sobre a fundação e seus letrados foram publicadas a partir de 10 de novembro de 1896, na Gazeta de Notícias, e, no dia imediato, no Jornal do Commercio. As sessões preparatórias iam começar: na primeira, a 15 de dezembro, às três da tarde, na sala de redação da Revista Brasileira, na travessa o Ouvidor, nº 31, foi logo aclamado o primeiro presidente: o escritor Machado de Assis.
Em janeiro de 1897, foram convidados os letrados Araripe Júnior, Artur Azevedo, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglês de Sousa, Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay. Também Coelho Neto, Filinto de Almeida, José do Patrocínio, Luís Murat e Valentim Magalhães, que haviam comparecido às sessões anteriores. Ainda Afonso Celso Júnior, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Garcia Redondo, conselheiro Pereira da Silva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Urbano Duarte, que aceitaram a honra e tornaram-se membros.
Os últimos dez membros foram eleitos. Eram eles: Aluísio Azevedo, Barão de Loreto, Clóvis Beviláqua, Domício da Gama, Eduardo Prado, Luís Guimarães Júnior, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raimundo Correia e Salvador de Mendonça.
Atualmente, a ABL mantém o mesmo formato com 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos sempre em votação secreta, e 20 sócios correspondentes estrangeiros.
DISCURSO DE MACHADO DE ASSIS
20 de julho de 1897
Senhores,
Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É símbolo da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança.
Não é preciso definir esta instituição, iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira.
Está aberta a sessão.
ESTE É VÍDEO COMEMORATIVO AO 114º ANIVERSÁRIO DA ABL.
JOSÉ SARAMAGO - DOIS ANOS SEM ELE
AUTOBIOGRAFIA
Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, quando tive de apresentar na escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome completo era José de Sousa Saramago... Não foi este, porém, o único problema de identidade com que fui fadado no berço. Embora tivesse vindo ao mundo no dia 16 de Novembro de 1922, os meus documentos oficiais referem que nasci dois dias depois, a 18: foi graças a esta pequena fraude que a família escapou ao pagamento da multa por falta de declaração do nascimento no prazo legal.
Talvez por ter participado na Grande Guerra, em França, como soldado de artilharia, e conhecido outros ambientes, diferentes do viver da aldeia, meu pai decidiu, em 1924, deixar o trabalho do campo e trasladar-se com a família para Lisboa, onde começou a exercer a profissão de polícia de segurança pública, para a qual não se exigiam mais "habilitações literárias" (expressão comum então...) que ler, escrever e contar. Poucos meses depois de nos termos instalado na capital, morreria meu irmão Francisco, que era dois anos mais velho do que eu. Embora as condições em que vivíamos tivessem melhorado um pouco com a mudança, nunca viríamos a conhecer verdadeiro desafogo económico. Já eu tinha 13 ou 14 anos quando passámos, enfim, a viver numa casa (pequeníssima) só para nós: até aí sempre tínhamos habitado em partes de casa, com outras famílias. Durante todo este tempo, e até à maioridade, foram muitos, e frequentemente prolongados, os períodos em que vivi na aldeia com os meus avós maternos, Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha.
Quando casei, em 1944, já tinha mudado de actividade, passara a trabalhar num organismo de Segurança Social como empregado administrativo. Minha mulher, Ilda Reis, então dactilógrafa nos Caminhos de Ferro, viria a ser, muitos anos mais tarde, um dos mais importantes gravadores portugueses. Faleceria em 1998. Em 1947, ano do nascimento da minha única filha, Violante, publiquei o primeiro livro, um romance que intitulei A Viúva, mas que por conveniências editoriais viria a sair com o nome de Terra do Pecado. Escrevi ainda outro romance, Clarabóia, que permanece inédito até hoje, e principiei um outro, que não passou das primeiras páginas: chamar-se-ia O Mel e o Fel ou talvez Luís, filho de Tadeu... A questão ficou resolvida quando abandonei o projecto: começava a tornar-se claro para mim que não tinha para dizer algo que valesse a pena. Durante 19 anos, até 1966, quando publicaria Os Poemas Possíveis , estive ausente do mundo literário português, onde devem ter sido pouquíssimas as pessoas que deram pela minha falta.
Por motivos políticos fiquei desempregado em 1949, mas, graças à boa vontade de um meu antigo professor do tempo da escola técnica, pude encontrar ocupação na empresa metalúrgia de que ele era administrador. No final dos anos 50 passei a trabalhar numa editora, Estúdios Cor, como responsável pela produção, regressando assim, mas não como autor, ao mundo das letras que tinha deixado anos antes. Essa nova actividade
Deixei a editora no final de 1971, trabalhei durante os dois anos seguintes no vespertino Diário de Lisboa como coordenador de um suplemento cultural e como editorialista. Publicados em 1974 sob o título As Opiniões que o DL teve, esses textos representam uma "leitura" bastante precisa dos últimos tempos da ditadura que viria a ser derrubada em Abril daquele ano. Em Abril de 1975 passei a exercer as funções de director-adjunto do matutino Diário de Notícias, cargo que desempenhei até Novembro desse ano e de que fui demitido na sequência das mudanças ocasionadas pelo golpe político-militar de 25 de daquele mês, que travou o processo revolucionário. Dois livros assinalam esta época: O Ano de 1993, um poema longo publicado em 1975, que alguns críticos consideram já anunciador das obras de ficção que dois anos depois se iniciariam com o romance Manual de Pintura e Caligrafia, e, sob o título Os Apontamentos , os artigos de teor político que publiquei no jornal de que havia sido director.
Sem emprego uma vez mais e, ponderadas as circunstâncias da situação política que então se vivia, sem a menor possibilidade de o encontrar, tomei a decisão de me dedicar inteiramente à literatura: já era hora de saber o que poderia realmente valer como escritor. No princípio de 1976 instalei-me por algumas semanas em Lavre, uma povoação rural da província do Alentejo. Foi esse período de estudo, observação e registo de informações que veio a dar origem, em 1980, ao romance Levantado do Chão, em que nasce o modo de narrar que caracteriza a minha ficção novelesca. Entretanto, em 1978, havia publicado uma colectânea de contos, Objecto Quase, em 1979 a peça de teatro A Noite, a que se seguiu, poucos meses antes da publicação de Levantado do Chão, nova obra teatral, Que Farei com este Livro?. Com excepção de uma outra peça de teatro, intitulada A Segunda Vida de Francisco de Assis e publicada em 1987, a década de 80 foi inteiramente dedicada ao romance: Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa , 1989. Em 1986 conheci a jornalista espanhola Pilar del Río. Casámo-nos em 1988.
Em consequência da censura exercida pelo Governo português sobre o romance O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), vetando a sua apresentação ao Prémio Literário Europeu sob pretexto de que o livro era ofensivo para os católicos, transferimos, minha mulher e eu, em Fevereiro de 1993, a nossa residência para a ilha de Lanzarote, no arquipélago de Canárias. No princípio desse ano publiquei a peça In Nomine Dei, ainda escrita em Lisboa, de que seria extraído o libreto da ópera Divara, com música do compositor italiano Azio Corghi, estreada em Münster (Alemanha), em 1993. Não foi esta a minha primeira colaboração com Corghi: também é dele a música da ópera Blimunda, sobre o romance Memorial do Convento, estreada em Milão (Itália), em 1990. Em 1993 iniciei a escrita de um diário, Cadernos de Lanzarote, de que estão publicados cinco volumes. Em 1995 publiquei o romance Ensaio sobre a Cegueira e em 1997 Todos os Nomes e O Conto da Ilha Desconhecida . Em 1995 foi-me atribuído o Prémio Camões, e em 1998 o Prémio Nobel de Literatura.
Em consequência da atribuição do Prémio Nobel a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas.
Creio ter trabalhado bastante durante estes últimos anos. Desde 1998, publiquei Folhas Políticas (1976-1998) (1999), A Caverna (2000), A Maior Flor do Mundo (2001), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004), Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido (2005), As Intermitências da Morte (2005) e As Pequenas Memórias (2006). Agora, neste Outono de 2008, aparecerá um novo livro: A Viagem do Elefante, um conto, uma narrativa, uma fábula.
No ano de 2007 decidiu criar-se em Lisboa uma Fundação com o meu nome, a qual assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos, além da atenção que devemos, como cidadãos responsáveis, ao cuidado do meio ambiente. Em Julho de 2008 foi assinado um protocolo de cedência da Casa dos Bicos, em Lisboa, para sede da Fundação José Saramago, onde esta continuará a intensificar e consolidar os objectivos a que se propôs na sua Declaração de Princípios, abrindo portas a projectos vivos de agitação cultural e propostas transformadoras da sociedade.
Nota - Depois de A Viagem do Elefante, José Saramago escreveu Caim e O Caderno I e O Caderno II, livros que não chegou a acrescentar à sua Autobiografia.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
MACHADO DE ASSIS - O BRUXO DO COSME VELHO
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| José Maria MACHADO DE ASSIS |
Há pouco escrevi sobre a vida e a obra de Virgínia Woolf, escritora inglesa de enorme prestígio e sucesso e consegui esboçar-lhe o perfil intercalando sua vida e obra. Não li nada dela que não fosse o estritamente necessário para, como disse, traçar-lhe o perfil, incentivando assim o leitor do blog a lê-la. Fiz isso baseando-me exclusivamente em um filme que vi em 2002 e dos resumos que coletei aqui e ali. Já com Machado de Assis a história é outra. Na minha juventude, não muito distante, li A Mão e a Luva. Depois, nada mais. Esse romance, o segundo dele, escrito em 1874, dois anos após Ressureição, tinha-me deixado na memória a semente da poética romântica, do lirismo contido nos personagens românticos do Século XIX, mesmo sem ter-me dado conta disso. Aos púberes quatorze anos, não tinha senão arroubos de grandeza e força e todos os meus esforços estavam a serviço de impressionar o sexo oposto; sabia que essa história de sentimento e sensibilidade traría-me apenas dissabores. Mas era um romântico em potencial naquela época e esse livro ficou gravado como a representação do tipo de homem que queria ser: educado, honrado, sensível, dedicado ao sentimento e ao amor. Era toda aquela aura primorosa do cavalheirismo romântico que o continha que me seduzia. E estava presente em A Mão e a Luva. Trinta e dois anos mais tarde, essa verve romanesca se manifestou. Ao ler Goethe, desencadeou-se tudo isso. Então, Machado de Assis foi o primeiro.
Obviamente, para quem conhece um pouco da história da literatura, sabe que A Mão e a Luva pertence à primeira fase de Machado de Assis, que mais tarde seria influenciado pelo que os críticos definem como a fase parnasiano-realista. Não vou castigar o leitor com mais uma biografia, apenas destaco como a crítica o definia, uma razoável ideia de como era o "homem" e "escritor" Machado de Assis.
Dizem os críticos que
Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou
questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura.
Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio,
como se não houvesse outro lugar. A galeria de tipos e personagens que criou
revela o autor como um mestre da observação psicológica. Sua obra divide-se em
duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu
inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é
sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do
pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e
iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."
Então, amados leitores,
para poupá-los de muita leitura, deixo-os com três vídeos sobre a obra e vida
de Machado de Assis e ao largo sua biografia, caso a queiram ler. Mais além,
alguns trechos de seus mais importantes romances, ao meu gosto, pois é muito difícil
selecionar o que escreveu e uma audácia desses que vos escreve, um soneto meu
em parceria com o Machadinho. O documentário foi veiculado pela TV Senado.
Assistam aos três episódios:
UM DOCUMENTÁRIO SOBRE A VIDA DO BRUXO
DO MORRO DO LIVRAMENTO À PRESIDÊNCIA DA ABL
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| Machado de Assis |
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentará o autodidata Machado de Assis.
De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando. Mesmo sem ter acesso a cursos regulares,
empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora
francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras
lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de
Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso
Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro
trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense,
de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da
época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu
colaborador efetivo.
Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de
tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre.
Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias
de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.
Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como
revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade Lítero-humorística
Petalógica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do
qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de
Alencar e Gonçalves Dias.
Começa a publicar obras românticas e, em 1859,
era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a
convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário
do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O
Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada (onde,
além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.
Publica seu primeiro livro de poesias em 1864,
sob o título de Crisálidas.
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| Carolina Augusta Xavier |
Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de
publicação do Diário Oficial.
Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo
Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de novembro de
1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.
Nessa época, o escritor era um típico homem de
letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público
e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta,
apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua
inglesa.
Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de
sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o
soneto Carolina, que a celebrizou.
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.
No O Globo de então (1874), jornal de
Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva.
Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O
Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial
Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração
do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete
Português de Leitura.
Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.
Em 1881, com a posse como ministro interino da
Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa,
Machado assume o cargo de oficial de gabinete.
Publica, nesse ano, um livro extremamente
original, pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de
Brás Cubas - que foi considerado, juntamente com O Mulato, de
Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.
Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).
| Machado de Assis (2º da esq. sentado) e os Imortais da ABL |
Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a ideia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a ideia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.
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| Academia Brasileira de Letras |
Por sua importância, a Academia Brasileira de
Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
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